O Miserável Mestre

Este texto esta na internet toda, mas não conseguimos confirmar se é realmente de Millor Fernandes, de qualquer forma será postado aqui, pois é um bom texto e parece refletir a realidade várias lojas:

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O miserável Mestre (Adriano alves)

Tô falando….não param de me perseguir! Estão sempre contra a minha pessoa.
E ainda se dizem irmãos. O negócio é que a Loja estava um marasmo.”Tava um saco”.
Aliás, por falar nisso, sempre preferi AMASSARMARIA à Maçonaria, vocês sabem.

Só tem um negócio lá que atrai: O PODER!
Foi aí que resolvi: quero ser Venerável!
Comecei a conversar com os caras, mas eles me vieram com um papo de que era cedo, que eu não tinha sido nem secretário!
Função subalterna, trabalha mais do que fala. Jamais! Não tenho tempo para isso…

QUERO MESMO É SER VENERÁVEL!

Mas tudo tem seu jeito.
Os dias passaram, bati papo com uns e outros, fui enrolando.
Fiz um leilãozinho de cargos. Pouco trabalho e muita pose.
As Vigilâncias vão para dois alérgicos ao trabalho.
Nada de preparar Instruções. Se elas já estão escritas, quem quiser que leia, bolas.
A oratória vai para um caso patológico de exibicionismo que precisa de platéia – vai ter sempre!
E por ai continuei…

Quanto àquelas condições de elegibilidade, atropelei todas.
Pra freqüência, atestado médico comprovando ‘Mal de Escroque’.
Nada como uns livrinhos misticistas. Dou uma cheirada neles e viajo no esoterês…
Bons costumes? Não tem problema, eles ainda não me conhecem direito…
Capacidade administrativa? Bah, administração é coisa para jogar em cima do secretário.
Meu negócio é bater malhete e usar paramento. O resto, eu leio e só assino.

Mas tem uma turminha que se acha dona da Loja só porque não falta,
arruma e desarruma o Templo, chega cedo, comparece no Tronco ou na
obra de amor e outras besteiras dessas.
Eles resolveram lançar um candidato deles. Mesmo que ele não tenha chance,
não custa pichar um pouco. Como dizia meu guru, “da calúnia sempre fica alguma coisa…”

Fui armando nos bastidores, fazendo cabalas com minha grande capacidade de persuasão…
Vocês sabem, ele é muito jovem, não presta para mandar…
Comprei presentinhos, fiz longos discursos e botei algumas notas no Tronco (pô que desperdício). Prometi, bajulei e menti. Beijei criancinhas, abracei sogras, fui a batizado e enterro.
Enfim, tornei-me o candidato ideal.

O outro boboca, coitado, nem fez campanha. Apresentou um tal plano de trabalho
que fazia jus ao nome, só falava de trabalho.
Argh! Ninguém deve ter gostado.
Chegou o grande dia da eleição, eu lá tranqüilo, já até pensando na reeleição.
Aliás preciso até ver quantas vezes é permitido, de repente, dá até para mudar o regulamento. ..
Por falar nisso, será que venerável é como comprar toca-fitas: instalação é de graça?
Não importa. Se não for, ponho na conta da Loja, junto com as dos paramentos,
que já mandei fazer, bordados a ouro.

Enfim, o grande momento. Começa a apuração.
Há Unanimidade, estão dizendo. É a glória. Eu mereço…
O quê…? Ganhou o outro?
Não! Absurdo! É roubo! E o meu voto e os compars…, quero dizer, correligionários?
Heim…? Não tínhamos freqüência?
Vocês não me merecem. Vou fundar uma outra Loja, para ser Venerável.

Vocês ainda vão ver a ‘VIGARICE & PICARETAGEM’ em funcionamento ainda este ano.
Quero meu Quit Placet! O quê? Tem de pagar? Deixa pra lá então!

——

De acordo com os comentários o texte é de Adriano Alves.

leiam os comentários aprovados abaixo.

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4 Respostas to “O Miserável Mestre”

  1. Ralph Moreira Says:

    Só mesmo o “venerável mestre” Millôr Fernandes para produzir peça tão pertinente.

    • Adriano Alves Says:

      O texto é meu. Foi publicado no Engenho&Arte cujo editor é João Guilherme da Cruz Ribeiro. É uma das Histórias de Hagámaçom Mente Pedreiro, um picareta que consegue se passar por maçom e entrar em uma loja. É baseado no Hagamenon do pessoal do Casseta e Planeta.

  2. Adriano Alves Says:

    O texto é meu: Adriano Alves Marreiros. Foi publicado há alguns anos na revista Engenho e Arte. O editor, Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro pode confirmar. tenho outros e pretendo, o dia que tiver paciência para escrever mais umas cinco ou 6 crônicas, publicar como livro. Adriano Alves Marreiros, MM, MRA, Sênior De Molay.
    Tríplice para todos

  3. Adriano Alves Says:

    Ah, o título é “O Miserável Mestre”.

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